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Pré-natal do papai

Especialistas defendem que homem também precisa de cuidados especiais durante a gravidez

Fernanda Aranda, iG São Paulo |

Cristiano Rafael Abud, 34 anos, está “grávido” de quatro meses. É o primeiro filho, desejado por quase um ano e apesar de estar todo feliz com a novidade, o pai de primeira viagem ainda não entrou em dia com a saúde. Rotina bem diferente adotou Daniela Sicone Abud, 25 anos. A futura mamãe ainda nem tem barriga de gestante, mas já tem no histórico quatro visitas ao médico, três ultrassons e mais uma série de exames desde que descobriu a gravidez.

Divulgação
Daniela e Cristiano estão "grávidos" de quatro meses. Ela concorda com o "pré-natal" masculino para facilitar a compreensão deles sobre o período
Ninguém dúvida que, por carregar o bebê no ventre e sentir todas as transformações hormonais, a mulher grávida precisa mesmo de mais acompanhamento clínico do que eles. Mas também é consenso entre os especialistas que o período do pré-natal feminino seria ideal para “fisgar” o homem e fazer com que ele fique mais próximo tanto dos cuidados de saúde quanto da preparação para a paternidade.

O chamado “pré-natal” do papai já é um embrião de política pública em São Paulo. A estratégia foi traçada pela Secretaria de Saúde como uma das formas de alcançar a meta de eliminação da sífilis (doença sexualmente transmissíveis) até o ano 2012. Para isso, todas as Unidades Básicas de Saúde (locais onde as mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde fazem pré-natal) a convidarem os pais a fazerem uma bateria de exames, de forma paulatina, assim como acontece com as mães durante o acompanhamento da gestação.

Apesar da ideia ter nascido com o foco nas doenças sexualmente transmissíveis que afetam o sexo masculino, o coordenador de Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Baldur Shubert, avalia que o “pré natal do papai” pode ser uma boa saída para aproximá-los da prevenção de doenças cardíacas, respiratórias e de todo o organismo.

“Nas reuniões feitas pelo País alguns municípios já relataram a proposta do pré-natal masculino e eu acho ótimo”, diz Schubert. “É interessante não só por aproximar os homens dos cuidados preventivos, como também incentivar uma participação mais ativa nas questões familiares, nas decisões de ter mais filhos ou evitar o aumento da família”, diz.

Compreensão

A futura mamãe Daniela concorda que não são todos os homens que conseguem compreender a gestação. Ela, por exemplo, viveu um período de enjôos extremos, que a fez emagrecer em vez de engordar neste início de gravidez. Além da melhor compreensão, conta ela, o convite para o pré-natal masculino seria uma boa oportunidade deles visitarem mais os profissionais da medicina. Para Cristiano, o hábito só ficou mais freqüente agora porque em março ele operou o apêndice.

“Acho que o Cristiano, no período da minha gravidez, fica mais preocupado com a minha saúde do que com a dele”, diz. “E já viu ho

mem que não tem medo de ir ao médico?”, diz às gargalhadas já explicando o outro motivo para a importância do pré-natal do papai.

Mais uma cadeira

Ainda que encurtar a distância entre os homens e os consultórios clínicos seja uma necessidade comprovada pelos indicadores de saúde (que são muito piores neles do que nelas), o doutor em saúde pública e coordenador do Instituto Papai (ONG que atua para fortalecer os laços da paternidade), Jorge Lyra, acrescenta uma outra vantagem dos papais fazerem pré-natal

“O nosso trabalho é para que os pais não sejam visitas, tanto no pré-natal, quanto no parto, pós-parto, no aleitamento”, afirma Lyra. “E para que sejam participantes é preciso acolhimento. Quando o homem chega no consultório, é preciso ter mais uma cadeira.”

Para o coordenador, criar protocolos de atendimento de saúde para o homem durante o pré-natal ajudaria no envolvimento. “Mas não é só medicalizar este processo. E criar reflexão. Homem cresce com a ideia de que pode procriar todo dia. A mulher tem o período fértil para pensar nisso. A nossa proposta é que eles entendam melhor a participação na paternidade.”

 

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